Blog protegido: Art. 5º, X da CF/88 - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação.

sábado, 1 de outubro de 2011

Fita Vermelha

"Você devia ter me telefonado, como sempre fez. Eu entendo que dessa vez não seria como me avisar a hora de começar Dr. House, marcar o futebol de domingo, falar sobre games ou contar entusiasmado sobre a bela garota que acabou de sair daí. Não quero nunca mais ser o último a saber, prometa isso e não cometa mais erros como esse. O verdadeiro vírus é o preconceito.

O show recém está começando, mas eu já dispenso a maquiagem. Quero ver seu rosto como é, como sempre foi. Bastava me avisar, de um jeito ou de outro, meus tênis sempre rangem alegres na calçada que dá na sua companhia. Não importa quantas milhares de pessoas viraram estatística. Quem um dia você chamou de amigo, será sempre uma pessoa, nunca um número qualquer em registros hospitalares. Vou além, nem o sangue tão dessemelhante me impede de te chamar de irmão.

O envelope amassado na lixeira, parece apenas um papel sem importância. Teu nome no verso, infelizmente, não inspira nenhum poema. E a palavra "positivo" agora tem seu sentido brutalmente distorcido. Mas não reclame da quantidade de pílulas ou das mãos geladas. A maioria se enche delas com álcool e ainda assim não podem se dizer quentes e vivos. Até mesmo o fim às vezes erra e se atrasa, quero pensar assim.

Me inclua na sua lista de tarefas. Não conte aniversários, invernos, manchas, consultas ou dias de sol. Conte comigo, apenas. Deixe eu te abraçar sem medo. Ando bem antenado: é assim mesmo que se transmite carinho, força, confiança e fé. Eu queria muito te levar pela mão atrás de alguma cura, mas se for pra nos enganar, lamento, passou da hora. Só me resta trocar de assunto e mostrar bons motivos sorrir.

A vida é mesmo estranha, como uma corrida sem a fita vermelha indicando a chegada. Estamos juntos nessa, bebendo do mesmo copo. O que posso dizer? Palavras agora só servem pra compor uma boa oração. A gramática, assim como o tempo, não existe. Faz parte desse sonho que temos supostamente acordados. Quem sabe um dia você me ensina como sonhar com o hoje.

Pode ser pavor de que seja tarde, então prefiro esconder meu afeto. Fico quieto, assistindo alguma coisa na tevê do seu sofá, por muito mais que três semanas. E quando você se virar pra mim, com os lábios contraídos e horizontais, não quero ver brilho nenhum, se a lágrima for fúnebre. Apenas supra a incompetência da vida, me mostrando nos olhos o significado daquilo que chamam de luta."

Gabito Nunes

Coisa de momento

"Confesso que a música romântica me fez tirar a roupa mais facilmente, mesmo eu não sendo de pensar muito antes de fazer isso. As coisas que ficam fora do lugar dentro de mim, sou eu mesma quem bagunço. Você, eu deixo bagunçar somente os cabelos e minhas quinquilharias femininas no bidê, pra deixar registrada uma marca, uma música, um beijo e umas recomendações.

Era o trato. Não sou de meio-amores que machucam por inteiro, acho essa coisa de paixão uma monstruosidade. Esse afeto sem razão que cultivamos por alguém quase desconhecido é uma espécie de suicídio passional que dá anos de cadeia. Não gostaria de ser como aquela gente que arrasta corrente por tempo. E não sou morta por dentro, acontece que meu colorido só dura 24 horas, tal uma borboleta. Sou isso, uma espécie de heroína lepidóptera nascida pra inibir crimes passionais. Mas só à noite, o resto do tempo sou uma lagarta gosmenta.

As pessoas que se apaixonam tendem a olhar-se mais no espelho, sem enxergar sua patética e debilitante condição. Quando a coisa acontece mútua, vá lá, diversão garantida por um tempo biologicamente determinado. As rejeitadas são o brabo. Subvertem-se psicóticas, caninas, manipuladoras, chantagistas, insanas, mendigas, agonizantes, verdadeiros cães de rua que aceitam um dono qualquer, suspeitos de crimes cheios de rastros.

Se alguém já chegou lá, por gentileza, me diga se vale a pena tanto andar. Do contrário, continuarei julgando essa coisa de amor uma longa estrada de chão calorenta até uma paradisíaca praia, que leva tanto tanto tanto tempo até você alcançá-la. E quando você chega sedento por um mergulho, fez-se a noite, o mar fica revolto e gelado e suscetível e perigoso e descontrolado. Não me espanta a vida como é ela é, me incomoda a vida como ela deixa de ser, às vezes. Simples, prática, funcional, indolor. Mas são apenas convicções.

Agora essa melancolia, essa saudade, essa tristeza, essa nostalgia, não sei o nome, seja lá o que você quiser. O jeito engraçado de andar com aquelas roupas, mesmo eu não concordando com aquela sua camiseta vermelha, seus dedos encardidos de cigarro, sua risada às vezes meio crueis, as coisas que você diz por empolgação, completamente nu. Mesmo eu não concordando com nada de bom das coisas que já consigo enxergar em você. Você não sabe, mas meu superpoder é inventar homens na minha cabeça.

Acha mesmo que vou sair na rua só pra comprar o jornal do dia e consultar sua intenção de me ligar no horóscopo? O interessado não dá desculpas, dá um jeito. Quando essa hora chegar, o dia já se foi, meu signo já aconselhou a agulha do meu disco trocar de música: dorme e acorda amanhã, num novo dia. Faz de conta que é otimista ou que esse amor não significava nada. Se a maioria acha triste a sensação de estar esquecendo uma feição, pra mim é um alívio discordar.

Como não sei se verei seu rosto de novo, aquele papelzinho seu rabiscado no meu bidê, recomendando uma música pra ouvir, joguei no lixo antes de memorizar. Não me dou o direito de mergulhar assim tão fundo num admirável mundo que não me pertence. Mas se acaso você me procurar, não sei, pode ser, quem sabe passa hoje aqui pra devolver as coisas que são minhas - meus momentos bons."
Gabito Nunes

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Aceito devolção



"E esse do Djavan? Tá fazendo o quê aqui? Fora "Linha do Equador", eu nem gosto de Djavan. Achar o cara charmosão não significa gostar das músicas a ponto de pedir um CD emprestado. Esses tênis com as meias amarrotadas dentro. Ficaram no meu caminho porquê? Exceto de mim, da minha pele assustadoramente sempre cálida, você não é exatamente uma corredora.

Essa marca registrada no vidro do meu box, de toda vez que você desembaçava com a mão em movimentos cilíndricos pra ver o que eu estava fazendo na pia, como sai? Que produto uso pra eliminar pistas suas? Rivotril, chumbinho, destilados? Em que momento, segundo, restaurante ou beijo em público você se sentiu à vontade pra estocar mini blusas no meu armário apertado?

Fica bom requentar esse café? Posso recolocar a mesa de centro na vertical? Mando também esses vestígios de xampu anti-friss? Depois de qual transa se sentiu livre pra deixar badulaques, anéis, grampos e brincos prateados no meu cinzeiro da sala? Minha camisa do "Let It Be" furada no sovaco esquerdo que você usava sempre pra dormir, faz questão?

Os farelos de biscoito integral que você consumia na solidão da minha cama enquanto eu trabalhava. É só sacudir? As tardes de romance que você passou sem roupa nos meus braços e as manhãs impróprias que te mastiguei, misturando meu tédio no teu sangue morno. Vai apagar quando? Quando você retornou das férias do universo? Que dia eu parei de chover hortelã em você?

Eu não vi passar o momento em que essa amizade colorida começou a transversar em paixão dolorida. Quando foi que você encontrou um lugar melhor que aqui pra largar tuas tralhas e teus anseios pelo chão? Em que fotos, varais e ombros estão estendidos agora teus planos adolescentes? Encaixoto tudo e mando pra onde? E você, volta quando? Também aceito devolução."

Gabito Nunes : SHOW!

domingo, 25 de setembro de 2011

Não quero perder nada




" ... Não vou dizer que é tudo mágico. Mas eu também não quero perder nada. Você vai argumentar com alguém com todos aqueles trejeitos engraçados e quero estar lá pra rir. Vai roçar com a ponta de todos os dedos a barba mal feita no gogó e eu quero estar lá pra implicar. Eu quero protestar quando seus pratos não seguem a receita que achei na internet. Tem sempre um filme na tevê que ainda não passou.

Não sei se é apego ou porque minha vontade de saber o que você vai me aprontar amanhã nunca cessa. Tem sempre algo que a gente sonhou fazer juntos e não quer deixar inacabado. Ninguém tira meia fotografia, ninguém viaja até a metade do caminho, não fica bem sair no meio de uma peça de teatro, ninguém telefona por meia pizza. Um trabalho não finalizado não é um trabalho.

Vai ter sempre algo. Uma roupa pra buscar, uma festa de aniversário de algum amigo em comum, um truque novo na cama, um episódio de estreia daqueles seriados que você me ensinou gostar, a doença da sua mãe. Essas pequenas coisas. De algo em algo, a gente vai levando.

As coisas que acabei de dizer, leve em consideração só até a meia-noite. Eu sempre tento virar a página sem grifar as partes importantes com alguma caneta de cor alarmante. Mesmo num amor de linhas tortas como o nosso, o fim parece um erro, como um ponto final no meio da frase."
Gabito Nunes

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

A louca aqui de dentro




Apenas depois no caminho ensolarado de volta é que peno: que dizer agora, depois do drama todo? Que fazer então, depois de cruzar o shopping de ponta a ponta e não encontrar uma mísera sapatilha preta em couro e no meu numero? Quinze minutos no cinema, choro escaldando a maquiagem, ligações para amigas. A louca me tomou conta por minutos inconsequentes que deveriam ser de aconchego. Culpa, remorso, cuidado; que fique essa faceta descontrolada longe de mim, meu deus. 
Acontece quando seleciono "remoer" ou "relevar" ao invés de simplesmente "falar e ser direta aos poucos". Ou libertar, aos pouquinhos, essa minha mania em opinar deliberadamente no que quer que seja. Incansável, lá vai a louca que aqui dentro desperta ocasionalmente de todas as maneiras possíveis tentar expurgar a colheita vagarosa de resguardos, silêncios e maus-entendidos que engole de vez em quando, afim de parecer correta, decente, forte ou decidida. Incontrolável, deixa escapar um pouquinho - quem sabe no suor, pela saliva da fala, por meio da aura explanada - em cada gesto impensado, pergunta direta ou movimento fora do ritmo habitual e acomodado a que a vida (normal) deve seguir. Entre ser irônica, dramática ou obsessiva, acabo mesmo é - por minutos, segundos ou, no máximo, horas - enlouquecendo.
Insaciável, se entope das mais inexplicáveis neuras, dos mais desconexos pensamentos que vibram uma vez que outra sem aviso prévio ou recomendação. Insana, aparece quando menos deveria. Me atinge quando fraca de mim mesma, submersa em baixa autoestima e dias ruins seguidos um do outro. Nem camisa de força ou remédio tarja preta adormece essa terrorista por tempo suficiente. Vive nesse largo espacinho entre ser banal e tentar ser blasé, para sobreviver dentro da crueldade que a sociedade pede. Sem medo de altura, brinca de atirar do mais alto prédio da cidade meu denso e carregado coração, só para me ver aflita e medrosa, tamanha agonia. Minha parte alienada deseja companhia e pelos tremores dos órgãos, pelo frio na barriga, nota que feliz sou eu quando consigo ser tranquila: rodeada de gente que me gosta. Daí começa a plantar uma sementinha de que não, não pode estar tudo tão bem. Capaz que o curso dos acontecimentos seria assim, tão fantástico. Tem algo errado, e caso não fareje, ela o faz. Tá tudo uma droga de repente, porque comecei a notar coisas que nem existem e brotaram na minha cabeça - culpa da desvairada, saibam vocês.
Então, sentenciada, foge. Fico eu - comigo mesma - e um arrependimento em ser impulsiva no colo, pesado e inerte. Estática sob os escombros, repensando fatos e revisando falas para saber como começar a correção que a insensata fez, antes de se esconder novamente aqui dentro, perdida e pequenininha. Aguardando até que infle e me fuja do controle, para uma próxima vez deixar que jorre o rio de lágrimas de cada TPM (as duas se adoram, é incrível) ou a fúria tenaz de, teimosa, dar cabeças que mais tarde não adiantarão de nada. Nem mesmo eu que quando calma tenho sido um doce suporto tanta acidez inconsequente. Maior prova de amor do mundo: sobreviver em meio ao caos de quando eu desatino. Que bom que tem quem passe no teste.

Camila Paier
P.S: Definitivamente, essa guria escreve pra mim! Minhas amigas, com certeza, irão concordar kkkk

X O X O e BAZZINGAAAAAAAA

sábado, 10 de setembro de 2011

Namorado?



Perguntaram pra mim: "Por que eu não tenho namorado? Algo em mim repele os homens? Sou uma mulher embargada? Há uma placa de 'proibido estacionar' em minhas costas? Me diga!". Olha, eu não sei por que não tem namorado. Honestamente.

Poxa, come batata frita, torta de limão, churrasco e trufa de leite condensado. Ok, a alcunha de magricela, cabo de vassoura ou Olívia Palito nunca lhe serviram, talvez. Urros sobre sua suposta suculência não têm advindo de prédios em construção, quiçá. Quem sabe não fica bem de "tomara-que-caia", tropica no salto agulha, não combina numa minissaia. Mas desbanca a miss Venezuela num vestido primaveril, pisando numa rasteirinha prateada, com o cabelo preso naquele lápis cor-de-rosa, soprando a franja pra cima no calor. Não vai me acreditar, mas tu é bonita.

Tu passa longe de uma Fernanda Young, uma Lya Luft, uma Sandra Werneck. Mas tu é inteligente à sua maneira. Assiste novela, mas não comenta a vida dos personagens. Gosta da Clarice, da Cecília, da Martha. Curte o Tom, a Adriana, o Nando, a Zizi, o Cazuza. Trabalha, suspira, trabalha, checa as unhas, trabalha, sonha, trabalha, belisca uma água-e-sal, trabalha e um colega te olha. E te acha bonita idem. E também se intriga com tua solteirice.

Tem princípios iguais os da mãe. Mas se acha careta, às vezes. Não cede, mesmo só. Adora sexo, embora não faça com a mesma frequência do desejo. Se faz não vibra na mesma frequência que o parceiro. Sente raiva por ser secretamente boba, romântica e demodê. Se derrete mais rápido que o sorvete napolitano na xícara de sopão quando a mocinha diz "você me fez acordar com um sorrisão no meu rosto". Chora na frente de ninguém, ai de ti se mais alguém souber. E você não vê a hora de um príncipe encantado por ti libertar esse riso largo atrofiado, mas sabidamente bonito.

Tem suas esquisitices. Dorme de edredon e ventilador. Coleciona esmaltes. Cerra as pernas quando sentada e fica coçando o joelho com uma das mãos enquanto a outra segura a cabeça pelo queixo. Ensaia dança do ventre pro espelho do banheiro. Faz duas vezes antes de pensar e tem uns "nhe-nhe-nhê" de mulherzinha. Mas qual não tem? É até bem charmoso. Nada tão relevante quanto sua forma meiga e carinhosa de perguntar "tu tá bem?". Nada mais importante que teu ímpeto de cuidar dos outros. Nada que mude minha convicção de que tu é bonita.

O que te falta? Falta tu mesma se convencer do que te falo com certeza. Tu merece alguém que abra os olhos diariamente e pense: "cara, eu tô com ela, eu sou o namorado dela!". Que goste da tua boca, do teu ombro, do teu cabelo bagunçado, do teu calcanhar, da tua cintura, das tuas mãos, do cheiro da tua pele, das sardas do teu rosto. E isso vai acontecer naturalmente ao você se dar conta de que tu é bonita, no âmago e na lata. Eu acho, teu ginecologista também, o colega de trabalho assina embaixo. Um dia serás o amor da vida de alguém, do jeitinho que tu é. Falta tu. Acorde hoje e repita: "eu sou bonita".

Gabito Nunes

Postagem pras queridíssimas que visitam o blog e que se perguntam isso também: Namorado? Gente, para tudo é! Vai encucar com isso não hein: Somos lindas, isso é o que importa! kkkkkkk

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Dizer o amor

Se você ama, diga que ama. Não tem essa de não precisar dizer porque o outro já sabe. Se sabe, maravilha, mas esse é um conhecimento que nunca está concluído. Pede inúmeras e ternas atualizações. Economizar amor é avareza. Coisa de quem funciona na frequência da escassez. De quem tem medo de gastar sentimento e lhe faltar depois. É terrível viver contando moedinhas de afeto. Há amor suficiente no universo. Pra todo mundo. Não perdemos quando damos: ganhamos junto. Quanto mais a gente faz o amor circular, mais amor a gente tem. Não é lorota. Basta sentir nas interações do dia-a-dia, esse nosso caderno de exercícios.

Se você ama, diga que ama. A gente pode sentir que é amado, mas sempre gosta de ouvir e ouvir e ouvir. É música de qualidade. Tão melodiosa, que muitas vezes, mesmo sem conseguir externar, sentimos uma vontade imensa de pedir: diz de novo? Dizer não dói, não arranca pedaço, requer poucas palavras e pode caber no intervalo entre uma inspiração e outra, sem brecha para se encontrar esconderijo na justificativa de falta de tempo. Sim, dizer, em alguns casos, pode exigir entendimentos prévios com o orgulho, com a bobagem do só-digo-se-o-outro-disser, com a coragem de dissolver uma camada e outra dessas defesas que a gente cria ao longo do caminho e quando percebe mais parecem uma muralha. Essas coisas que, no fim das contas, só servem para nos afastar da vida. De nós mesmos. Do amor.

Se você ama, diga que ama. Diga o seu conforto por saber que aquela vida e a sua vida se olham amorosamente e têm um lugar de encontro. Diga a sua gratidão. O seu contentamento. A festa que acontece em você toda vez que lembra que o outro existe. E se for muito difícil dizer com palavras, diga de outras maneiras que também possam ser ouvidas. Prepare surpresas. Borde delicadezas no tecido às vezes áspero das horas. Reinaugure gestos de companheirismo. Mas, não deixe para depois. Depois é um tempo sempre duvidoso. Depois é distante daqui. Depois é sei lá.
ANA JÁCOMO

domingo, 21 de agosto de 2011

A pedidos



“De tanto a minha mocinha perder no final cheguei a conclusão que sou bandida.” - Tati Bernardi

"A gente pensa que mata a saudade, mas assim que a mesma ressuscita é com intensidade maior ainda."

"E te digo mais, não vi o passarinho verde, nem o amarelo, muito menos o celeste, é felicidade pura, simples, que vem de dentro, do fundo." (A-ntonieta)

"Para que a gente tenha cuidado e apenas prolongue essa sensação de ser novidade um pro outro, a cada detalhe desconhecido e então revelado, a cada mistério desfeito e face oculta do outro mostrada, que a gente prossiga curtindo muito o dedo mindinho do outro, as caras e sorrisos únicos - e que você, infelizmente, se mantenha distante. Assinado: eu que espero nunca entrar para o seu arquivo e me conservar sempre na parte do dia dele que traz felicidade, e não dor de cabeça.” Camila Paier

“Minha vontade agora é sumir. Chamar você. Me esconder. Ir até a sua casa e te beijar e dizer que te amo e que você é importante demais na minha vida para eu te abandonar. Sacudir você e dizer que você é um otário porque está me perdendo dessa maneira. Minha vontade é esquecer você. Apagar você da minha vida. Lembrar de você a cada manhã. Pensar em você para dormir melhor. Então eu percebo: IT’S ME, e minhas vontades são bipolares demais. Só o que não é bipolar demais é a minha ganância por te ter. Sim, eu escolheria você. Se me dessem um último pedido, eu escolheria você. Se a vida acabasse hoje ou daqui mil anos, eu escolheria você!” Tati B.

"O caminho é in, não off. Você não vai encontrá-lo em Deus nem na maconha, nem mudando para Nova York."

"Anota aí pro teu futuro cair na real: essa sede, ninguém mata."

"Um desânimo. Uma lerdeza. Um oco. Aquela velha sensação de estar jogando fora a vida."

"Afastarei você com o gesto mais duro que conseguir e direi duramente que seu amor não me toca, nem comove."

"Mesmo que a gente não se veja mais. Penso em você, penso em você com força e carinho."

"O que tem de ser, tem muita força. Ninguém precisa se assustar com a distância.

"Passaram-se meses, ele voltou. Foi longo. Doía. Continua doendo. Ainda não acabou. Passa, passará."

"Não há roupa, fantasia ou plástica que dê jeito quando, na alma, falta classe."
( Caio Fernando Abreu)

P.S: Espero que tenha gostado, Bel!

X O X O

Porque eu sei que é amor



Porque eu sei que é amor
Eu não peço nada em troca
Porque eu sei que é amor
Eu não peço nenhuma prova

Mesmo que você não esteja aqui
O amor está aqui
Agora
Mesmo que você tenha que partir
O amor não há de ir
Embora

Eu sei que é pra sempre
Enquanto durar
Eu peço somente
O que eu puder dar

Porque eu sei que é amor
Sei que cada palavra importa
Porque eu sei que é amor
Sei que só há uma resposta

Mesmo sem porquê eu te trago aqui
O amor está aqui
Comigo
Mesmo sem porquê eu te levo assim
O amor está em mim
Mais vivo

Eu sei que é pra sempre
Enquanto durar
Eu peço somente
O que eu puder dar
Porque eu sei que é amor

Porque Eu Sei Que É Amor-Titãs
Composição: Sérgio Britto e Paulo Miklos

domingo, 14 de agosto de 2011

Porque se não for, que venha a ser



Essa difícil compreensão dos fatos mexe comigo, bagunça minhas ideias a respeito de sentimentos, de pessoas. Será que gosta, será que não gosta? Ama? Como se sabe isso? Como se sente? Como sabemos exatamente- e com a maior das certezas- que uma pessoa REALMENTE ama a gente, sente falta da gente? Não sei, e passando a pensar e a ter distúrbios emocionais e oscilações de humor em consequência disso, optei por: dá um tempo- se eu amar aquela pessoa, por enquanto, basta-me. Não encucarei se ela me ama como eu a amo, com a mesma intensidade... Mesmo que as pessoas não demonstrem que sentem saudade, diga que te ama, ou ressalte suas qualidades sempre; mesmo que ela não esteja ali presente todos os dias ao seu lado, e que vocês estejam compartilhando e unindo vidas em uma só, pode-se muito bem acreditar que há a possibilidade dessa pessoa não ser tão demonstrativa quanto você. Talvez para ela não se precise demonstrar que ama todos os dias, ou da forma que você gostaria. O que nos resta é isso: aceitar as particularidades do próximo quando o quesito é demonstrar afeto. Se você ama alguém e tem certeza que a tocou de alguma forma, mesmo que haja duvidas a respeito se essa pessoa ama ou não você, prefira ficar com se não amar, amará. Se não pensar, pensará. Porque a vida já tem nos ensinado demais que tudo o que um dia foi, pode voltar a ser; ou até mesmo o que nada foi, pode ser.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Aos novos caminhos, aos novos desafios, ao tempo!

Foto: Felipe Lombardi


Você pode ir embora e nunca mais ser a mesma.
Você pode voltar e nada ser como antes.
Você pode até ficar, pra que nada mude, mas aí é você que não vai se conformar com isso.
Você pode sofrer por perder alguém.
Você pode até lembrar com carinho ou orgulho de algum momento importante na sua vida: formatura, casamento, aprovação no vestibular ou a festa mais linda que já tenha ido, mas o que vai te fazer falta mesmo, o que vai doer bem fundo, é a saudade dos momentos simples:
Da sua mãe te chamando pra acordar,
Do seu pai te levando pela mão,
Dos desenhos animados com seu irmão,
Do caminho pra casa com os amigos e a diversão natural
Do cheiro que você sentia naquele abraço,
Da hora certinha em que ele sempre aparecia pra te ver,
E como ele te olhava com aquela cara de coitado pra te derreter.
De qualquer forma, não esqueça das seguintes verdades:
Não faça nada que não te deixe em paz consigo mesma;
Cuidado com o que anda desabafando;
Conte até três (tá certo, se precisar, conte mais);
Antes só do que muito acompanhado;
Esperar não significa inércia, muito menos desinteresse;
Renunciar não quer dizer que não ame;
Abrir mão não quer dizer que não queira;
O tempo ensina, mas não cura.

Martha Medeiros

P.S: tá aí uma postagem pra vocês: Anninha, Luciana, Carol e Geórgia! Começando faculdade, longe dos pais, morando em outras cidades... Mas que fiquem com vocês os melhores ensinamentos dos seus mestres: pais, familiares, amigos! As verdades que jamais devem ser esquecidas. São novos caminhos, novos desafios. Mas bem sabemos o quão o tempo passa rápido, e não se esqueçam de que pra vocês se tornarem Engenheira Civil, Odontóloga, Arquiteta ou Engenheira de Alimentos é preciso passar por isso. Desejo que mesmo com essa distância, essa saudade louca, vocês possam sempre encontrar a paz interior, Amadas. 
Amo vocês, muuuuuuuuito !

domingo, 24 de julho de 2011

Muita, muita fé e só

Passei dias tendo que me controlar nessa dieta comportamental, até que chegou o momento crucial, aquele em que não deu mais para fechar a boca, frear ainda mais minhas reações emocionais e prender o choro. Me permiti então, deliciar a inexatidão de tudo que me ocorre, dessas horas vazias e acomodadas e saborear lambuzando meu ar pitorescamente melodramático. Virei uma vilã de poucas palavras e glossário repleto de resmungos e mau-humor, subitamente. Ao sestear, lacrei os olhos e pensei forte, que tudo era aprendizado, fase ruim e esvoaçaria tão logo eu despertasse. Que as nuvens se separariam, dando adeus à nebulosidade, e ao meu almejado lugar ao sol. E que eu tinha muita, muita fé. Cega, otimista, e apressada, a fé; o invisível que cresce na esperança. Dormi calma e sem mais delongas, o que é raro em quem o cérebro acostumou-se a funcionar no automático e liga, desliga e governa quando bem entende. Acordei numa tranquilidade infantil, e acho que sonhei com pessoas de quem me distanciei, tomei o rumo contrário, e que sentia falta; pra ver se reconecta, recarrega, ou algum sinal furtivo, SOS desesperado. Despertar bem-humorada nesse dia totalmente atípico e até libertador acabou passando batido, e uma intuição transitória de aparecer, dar as caras, me roubando a sanidade, enquanto apenas me deixo levar. Ímpeto dominado por certeza e destreza. Querendo me conectar ao mundo real, depois de foragida por semanas, com aquela vontade de viver só para mim: sem testemunhas, cúmplices ou superiores e uma peça, bem pregada, costurada e impregnada pelo destino: você. O sujeito da falta, o egoísmo mais cômico e dilacerador, que eu ainda culpava no âmago dos meus dias, nuns lapsos de memória ou presságios futuros de ter encaminhado ao buraco negro e que também sente minha falta, brinca com o tempo e esses sumiços, e quer me ver. Quer me ver. Tão logo acabe o verão, e os dois estejam longe das perdições praianas e feriados comemorativamente promíscuos. Na cidade, seguros talvez apenas da lucidez das vidas recomeçadas, lugares diferentes e pessoas novas. Assim, depois de semanas, e sem ódio exposto ou declarado, e muita calma. Supostamente, ainda com essa loucura, a inconsistência em nível elevado, esse andejo que pulsa periodicamente, e o meu feeling arisco, alguma chance, perdida e ainda reluzente, porque cada um foi se refazendo ao longe, devagar e com carinho, esperando a pressão baixar, a raiva sumir, e aos poucos, a sua parte na ponte quebrada, no abismo profundo; se encontrando bem na metade desse itinerário confuso e tortuoso, cujo caminho é conhecido e detalhado apenas pelos dois pedacinhos de carne ambulante que habitam o paralelo 30, nós dois. Ainda que pessoas em abundância tentem meter o dedo, nariz e seus palpites desgastados. Ou que sejamos ao mesmo tempo as pessoas mais adversas e completas, que serviriam apenas um para o outro. Você é totalmente esportes e geração saúde, enquanto eu me volto para meu mundo interior, letras, musicalidade e chocolate de qualquer espécie. Você e seu ceticismo lógico, pagando para ver, e vendo para crer, e eu retrogrando signos, analisando mapas atrais, sinastrias e revoluções solares. Crendo desesperadamente em tudo, para ver se acontece de uma vez. Avaliando cada mudança celestial, secretamente. São poucas as coisas que nos atraem, mas são várias as que nos ligam, e fazem voltar, retroceder. As personalidades fortes que são compreensão mútua e desafio constante, o gosto pelo humor sádico e irônico, as mesmas músicas herdadas paternamente, maldição numérica de detestar qualquer matéria exata e a escolha idêntica de futuro profissional. Em conjunto, apenas esses recado sutil e a saída apressada, medrosa. Sem nem dar tempo para algum surto psicótico ou reclamações atrasadas. Saber que quer talvez dar certo, uma necessidade desamparada do outro, e quem sabe mesmo, essa oportunidade recolocada à mesa com juízo. Tenho vontade de sorrir pela outra parte do dia que me resta, e se inicia noite, mas me contento em ficar alegre quase em segredo. Apenas mamãe, claro. E relembro que como quem come bolo quente, a consequência é sempre dor-de-barriga. Agradeço ao papai do céu, esse ser superior que chamam de Deus, Jesus, Ogum e prometo continuar tendo muita fé. Principalmente para continuar sã, firme e forte no ritmo da música vida, sem afobação e nenhuma preocupação. Muita, muita fé e só.

(Camila Paier)
P.S: Lindo texto que achei revirando o Calmila! Muita , muita fé e só, pra mim, pra você e pra todo mundo!

X O X O

domingo, 17 de julho de 2011

Dessas saudades com seus lindos fios de amor



"Era saudade, sim, eu pude dar nome quando tocou o meu instante com mãos de surpresa e me convidou pra sentir. Eu deixei que crescesse, que expandisse seus ramos, que florisse com calma, sem tentar adiá-la ou entretê-la, essas coisas que às vezes a gente tenta fazer com saudade que machuca, e vez ou outra até consegue. Mas aquela, eu pressenti pela melodia do perfume que emanava, aquela não tinha a mínima intenção de ferir. Aquela não saberia, ainda que tentasse. Aquela, eu sei, não tentaria.

Não era daquelas saudades que fazem a musculatura da vida ficar toda contraída de dor. Daquelas que amordaçam as flores e espantam as borboletas. Daquelas que engasgam o canto e fazem as asas encolherem. Daquelas traiçoeiras que, na primeira oportunidade, quebram as pontas dos nossos lápis de cor. Daquelas que escondem os brinquedos da gente nas prateleiras mais altas e, por via das dúvidas, encurtam os braços do nosso contentamento. Daquelas que inflam nuvens que depois inundam tudo de carência e de tristeza. Não, aquela não.

Aquela era uma saudade feita de um punhado de sorrisos viçosos floridos no jardim da memória. Era pássaro que cantava macio na árvore mais frondosa da minha gratidão. Era mar que estendia ondas suaves de ternura por toda a orla dos meus olhos. Aquela era dessas saudades que toda vez que dizem acendem um mundaréu de estrelas no céu do coração. Era uma certeza de que a vida sempre arruma maneiras para aproximar as almas irmãs, esses anjos vestidos de gente que tornam mais fácil e mais feliz a nossa temporada de aulas e recreios nesse mundo.

Aquela era dessas saudades bem-vindas que trazem também descanso e alegria na sua cesta de bênçãos. Era dessas saudades que derrubam cercas e desenham pontes. Era dessas saudades que desembrulham lembranças que deixam o instante da gente todo perfumado de Deus. Aquela era dessas saudades generosas que bordam sol no tecido da alma com os seus lindos fios de amor."

Ana Jácomo

terça-feira, 5 de julho de 2011

É promessa



Porque você sempre poderá se levantar, não importa o número de vezes que você caia;
Porque não há mal que você não possa transformar em aprendizado, você sempre ficará mais forte;
Porque você é capaz de enxugar as lágrimas, não é vergonha chorar;
Porque não importa quantos covardes existam a sua volta, você sempre terá coragem;
Porque você sabe que tudo acontece no momento certo, você sempre será paciente;
Porque não importa o quanto alguém possa ser amargo, você sempre será doce;
Porque você é uma verdadeira estrela, a escuridão nunca chegará perto;
Porque mesmo que você possa ficar triste, você sempre será feliz;
Porque não importam o tempo e a distância, você nunca estará só;
Porque Deus estará sempre conosco e essas palavras serão eternas.

Caroline Medeiros

Alma mosaico

Para vocês, o melhor de racional e passional em mim: minha família, os amigos que Deus escolheu pra mim, e meus amigos, a família que eu escolhi.


Foi fácil descobrir. Pois, por mais que, às vezes, eu precise estar só, e, às vezes, precise olhar, especificamente, para mim, eu sei que não é na solidão que eu encontro meu melhor.
Cada um de nós já nasce sendo um pedacinho comum em duas pessoas, e, ao longo de nossas vidas, mesmo que não nos demos conta, esses dois pedacinhos, que formam uma pessoa, vão se unindo a outros e a mais outros.
Minha alma foi, está e, para sempre, continuará sendo formada por aqueles que estão ao meu lado. Sim, é a mais pura verdade. Só graças a vocês eu sou o que sou hoje.
Vocês me ensinaram as lições mais valiosas que se pode aprender, aquelas que só se aprende com carinho. Vocês caíram comigo, para me fazer levantar. Vocês, assim como eu, estão descobrindo que as distâncias podem não significar nada.
Vocês, que roubaram pedaços de minha alma para colocar pedaços das suas nos lugar, são o mais perto da perfeição em que eu posso chegar. Vocês são o meu conjunto. Então, foi fácil descobrir porque eu posso sempre chegar ao meu melhor, principalmente, com vocês por perto. Simplesmente, porque somos, e sempre seremos, partes uns dos outros, partes de um mosaico, que sozinhas são ótimas, mas unidas são melhores ainda.

Caroline Medeiros

Depois de amanhã.



Hoje, ao abrir os olhos, me dei conta que aquilo que, um dia, foi fim se transformou em começo, então, lá vamos nós de novo, mas tenha certeza de que não será como antes.
Eu já travei, já chorei, esbravejei, enlouqueci, e, finalmente, passei por cima de tudo aquilo que tanto me fez mal, ou, pelo menos, pensei que havia feito. Agora, você está de volta, e até parece que alguém resolveu me pregar uma peça, fazendo com que esse “destino” retornasse para mim. Quem sabe se não foi você mesmo que decidiu isso só pra ver o que aconteceria?
Pois bem, amigo! Sinceramente, foi um choque. Me dei conta de que esse mundo dá voltas demais para que eu passa dizer, com convicção, que algo está, definitivamente, terminado. Assombrações existem!
Mas, quer saber? Eu não sou, e nunca mais serei, a pessoa que você encontrou ontem, em uma festa qualquer, ou em um certo carnaval. Chegou a minha vez de assumir o controle, portanto, mesmo que não tenha acabado, será como eu quero daqui por diante, mesmo que em algum momento se torne um pouco difícil.
Posso já não saber o que esse futuro me guarda, mas, como último favor, eu vou te dar um conselho: prepare-se, pois o que vem por aí promete, e muito. E eu? Eu posso até sair com algumas rachaduras, mas você vai sair todo quebrado.

Caroline Medeiros

BEM VINDA

Novidade abençoada aqui no Relicário! (:

CAROLINE MEDEIROS!

Isso mesmo, a outra CAROL está chegando, arrasando, e pra ficar, lógico!

Nós CKAROIS, esperamos que vocês, estimadas leitoras( e leitores,claro) se inundem de sentimentos bons ao ler tudo o que aqui estiver escrito!
Mil beijos, queridas e queridos! E vem aí a CAROL COM "C"! uhú
Finalmente , não é? kkkk


bjos ;*

P.S: O RELICÁRIO PASSARÁ POR MUDANÇAS NO VISUAL, EM BREVE, AGUARDEM! rs

domingo, 3 de julho de 2011

Nessa espera

Todo dia é só mais um dia
Se é longe de você
Todo tempo é só essa espera
Se eu não puder te ver

Mas se é pra te ver chorar
Nem pensar
Melhor deixar pra lá
Mas se é pra te ver chorar
Nem pensar
Melhor sentir saudades e deixar
O tempo consertar
O que der pra consertar
Do que ainda resta de nós.


O que há de ser será, qualquer dia
Mas o que haverá de ser
Nem a brisa vem soprar nessa espera
Tudo espera por você


Deixa a chuva desabar, nessa espera
Deixa a mágoa desmanchar, nessa espera
Deixa a água carregar, nessa espera
Toda a raiva que restar, nessa espera.

Nessa Espera
Composição: Leoni - Vinícius Cantuária


MÚSICA LINDAAAAAAAAA, PERFEEEEEEEEEEEITA! *-* (:

quarta-feira, 29 de junho de 2011

E para os dois abrirem-se para o mundo

"Algumas pessoas mantêm relações para se sentirem integradas na sociedade, para provarem a si mesmas que são capazes de ser amadas, para evitar a solidão, por dinheiro ou por preguiça. Uma relação tem que servir para você se sentir 100% à vontade com outra pessoa; à vontade para concordar com ela e discordar dela, para ter sexo sem não-me-toques ou para cair no sono logo após o jantar, pregado. Uma relação tem que servir para você ter com quem ir ao cinema de mãos dadas, para ter alguém que instale o som novo enquanto você prepara uma omelete, para ter alguém com quem viajar para um país distante, para ter alguém com quem ficar em silêncio sem que nenhum dos dois se incomode com isso. Uma relação tem que servir para, às vezes, estimular você a se produzir, e, quase sempre, estimular você a ser do jeito que é, de cara lavada e bonita a seu modo. Uma relação tem que servir para um e outro se sentirem amparados nas suas inquietações, para ensinar a confiar, a respeitar as diferenças que há entre as pessoas, e deve servir para fazer os dois se divertirem demais, mesmo em casa, principalmente em casa. Uma relação tem que servir para cobrir as despesas um do outro num momento de aperto, e cobrir as dores um do outro num momento de melancolia, e cobrirem o corpo um do outro quando o cobertor cair. Uma relação tem que servir para um acompanhar o outro no médico, para um perdoar as fraquezas do outro, para um abrir a garrafa de vinho e para o outro abrir o jogo, e para os dois abrirem-se para o mundo, cientes de que o mundo não se resume aos dois."

Drauzio Varela.

domingo, 26 de junho de 2011

Não façamos do amor algo desonesto

Quando não há compaixão
Ou mesmo um gesto de ajuda
O que pensar da vida
E daqueles que sabemos que amamos ?

Quem pensa por si mesmo é livre
E ser livre é coisa muito séria

Não se pode fechar os olhos
Não se pode olhar pra trás
Sem se aprender alguma coisa pro futuro


Corri pro esconderijo
Olhei pela janela
O sol é um só
Mas quem sabe são duas manhãs

Não precisa vir
Se não for pra ficar

Pelo menos uma noite
E três semanas

Nada é fácil
Nada é certo
Não façamos do amor
Algo desonesto


Quero ser prudente
E sempre ser correto
Quero ser constante
E sempre tentar ser sincero

E queremos fugir
Mas ficamos sempre sem saber

Seu olhar
Não conta mais histórias
Não brota o fruto e nem a flor
E nem o céu é belo e prateado
E o que eu era eu não sou mais
E não tenho nada pra lembrar

Triste coisa é querer bem
A quem não sabe perdoar
Acho que sempre lhe amarei
Só que não lhe quero mais


Não é desejo, nem é saudade
Sinceramente, nem é verdade


Eu sei porque você fugiu
Mas não consigo entender

Eu sei porque você fugiu
Mas não consigo entender

Composição: Dado Villa-Lobos, Renato Russo e Marcelo Bonfá

L'Avventura-Legião Urbana

sábado, 25 de junho de 2011

Tic tacs



Pensar que os reencontros aliviarão a dor não dá exatidão. Eles podem simplesmente ser meros reencontros: de aperto de mão, abraço e um simples “oi tudo bem?”. Mas de conversas íntimas pra acertar todos os pontos do relógio, não, nem sempre. Os clicks, tic tacs e tudo mais que causam a ânsia de acertar todos esses ponteiros do relógio da vida confundem: devemos falar mesmo, e tentar concertá-los, ou devemos deixa-los ali, mesmo sabendo que estão desmantelados e que esses desmantelos nos afligem muito?

Eis que me encontro entre o passo de permanecer calada, e o de esperar: se encontrar, num desses encontros casuais, sem marcas e horário certo, eu falo? Eu falo tudo o que me vier pela cabeça e goela? Digo que não está certo e que precisa ser de tal forma a tudo ficar bem e eu me sentir feliz? Ou se não encontrar: o que faço? Espero, espero, enquanto esses tic tacs ensurdecedores atrapalham todas as minhas convicções de berço e até a minha esperança? E existe tempo certo? Qual é esse tempo, será que tenho mesmo que esperar? Na minha mente não consta nada em relação a futuros adiados, e quando o assunto remete a algo do coração, nunca fui de deixar o que posso, e nesse caso, PRECISO fazer hoje, para fazer amanhã. Odeio joguinhos, se eu quero ligar, vou lá e ligo. Se quero dizer ”preciso de você”, também, e com maior intensidade. Desde que me deem oportunidades, a vida eu transformo ao meu compasso. Não deixo fugir nenhuma vontade de minha mão.

Sobre o controle da situação quero sempre estar, não que seja descabido de dar-te o teu espaço: dou-o, fique a vontade, fale o que quiser, expresse-se quanto tempo for necessário, mas, por favor, me diga tudo, com a sinceridade mais pura que você já teve, me garanta que dá certo ou que não, de forma alguma, dará. E eu recuo, a gente se afasta. E à medida que o tic tac bater, talvez eu esqueça. Outro perigo. E se eu esquecer, tenho um pedido, por favor, não volte!

Mas aí, você volta, tem que voltar, afinal, a vida é feita de montanhas russas e o relógio é redondo, em ciclos... E então, nessa de acertar os ponteiros do relógio, eu tenho uma alternativa além de concertá-los: quebrar. Parar de construir fantasias! Então eu me pergunto: sou mesmo capaz de fazer isso? E logo caio na minha triste realidade de sonhos confortáveis e de amores possíveis: não, não o sou. Não sou capaz de demolir essas fantasias que me outrora fazem tão bem, embora me confundam. A conclusão é a seguinte: mesmo que a gente saiba que tem que parar aquilo, quando em algum momento nos fizer bem, a gente não para, a gente não deixará por nada parar essa coisa que sentimos ou que “bem dizemos” sentimentos! Só deixaremos os ponteiros do relógio oscilarem. Surge então um cuidado: eles podem oscilar tanto, que podem chegar a pifar! Quando chega aí, com a ausência a gente tem que se acostumar! E aí é que tá!

Karoline Alves
P.s: Escrito em 24/06/11

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Anda, sai do marasmo, viveeeeeeeeeeee!



"...Falo de viver.

Parar, olhar, escutar - dizia um aviso nos trilhos do trem entre minha cidade e Porto Alegre. A gente passava de carro sobre o trilho, e eu imaginava o horror de alguém infringir isso e ser explodido pelo monstro de ferro e fumaça.

A vida há de rolar por cima da gente, reduzindo a poeirinha inútil quem se esquecer de às vezes parar pra pensar... mas sem se desmontar; olhar em torno ou para dentro: paisagens belas, ou áridas ( sempre dá pra plantar um capim) ou quem sabe coloridas ( a alma pode brincar de esconde-esconde entre as folhas).

E escutar: a música do universo, o canto do sabiá ( que tem começado às três da madrugada fria, atarantado neste clima estranho); a risada da criança no andar de cima; enfim, o chamado da vida que nos convoca de mil formas: anda, sai do marasmo, viveeeeeeeeeeee!!

Que nossas agendas ( também as interiores) nos permitam muitas vezes a plenitude do nada sorvido como um gole de champanha, celebrando tudo.

Sem culpa."

Lya Luft.

EU PRECISO DIZER MAIS ALGUMA COISA ? kkkk

terça-feira, 21 de junho de 2011

AMAR É PUNK



"Eu já passei da idade de ter um tipo físico de homem ideal para eu me relacionar. Antes, só se fosse estranho (bem estranho). Tivesse um figurino perturbado. Gostasse de rock mais que tudo. Tivesse no mínimo um piercing (e uma tatuagem gigante). Soubesse tocar algum instrumento. E usasse All Star. Uma coisa meio Dave Grohl. Hoje em dia eu continuo insistindo no quesito All Star e rock'n roll, mas confesso que muita coisa mudou. É, pessoal, não tem jeito. Relacionamento a gente constrói. Dia após dia. Dosando paciência, silêncios e longas conversas.

Engraçado que quando a gente pára de acreditar em "amor da vida", um amor pra vida da gente aparece. Sem o glamour da alma gêmea. Sem as promessas de ser pra sempre. Sem borboletas no estômago. Sem noites de insônia. É uma coisa simples do tipo: você conhece o cara. Começa, aos poucos, a admirá-lo. A achá-lo FODA. E, quando vê, você tá fazendo coraçãozinho com a mão igual uma pangaré. (E escrevendo textos no blog para que ele entenda uma coisa: dessa vez, meu caro, é diferente). Adeus expectativas irreais, adeus sonhos de adolescente. Ele vai esquecer todo mês o aniversário de namoro, mas vai se lembrar sempre que você gosta do seu pão-de-sal bem branco (e com muito queijo). Ele não vai fazer declarações românticas e jantares à luz de vela, mas vai saber que você está de TPM no primeiro "oi", te perdoando docemente de qualquer frase dita com mais rispidez.

Ah, gente, sei lá. Descobri que gosto mesmo é do tal amor. DA PAIXÃO, NÃO. Depois de anos escrevendo sobre querer alguém que me tire o chão, que me roube o ar, venho humildemente me retificar. EU QUERO ALGUÉM QUE DIVIDA O CHÃO COMIGO. QUERO ALGUÉM QUE ME TRAGA FÔLEGO. Entenderam? Quero dormir abraçada sem susto. Quero acordar e ver que (aconteça o que acontecer), tudo vai estar em seu lugar. Sem ansiedades. Sem montanhas-russas. Antes eu achava que, se não tivesse paixão, eu iria parar de escrever, minha inspiração iria acabar e meus futuros livros iriam pra seção B da auto-ajuda, com um monte de margaridinhas na capa. Mas, caramba! Descobri que não é nada disso. Não existe nada mais contestador do que amar uma pessoa só. Amar é ser rebelde. É atravessar o escuro. É, no meu caso, mudar o conceito de tudo o que já pensei que pudesse ser amor. Não, antes era paixão. Antes era imaturidade. Antes era uma procura por mim mesma que não tinha acontecido.

Sei que já falei muito sobre amor, acho que é o grande tema da vida da gente. Mas amor não é só poesia e refrões. Amor é reconstrução. É ritmo. Pausas. Desafinos. E desafios. Demorei anos pra concordar com meu querido (e sempre citado) Cazuza: "eu quero um amor tranqüilo, com sabor de fruta mordida". Antes, ao ouvir essa música, eu sempre pensava (e não dizia): porra, que tédio! Ah, Cazuza... Ele sempre soube. Paixão é para os fracos. Mas amar - ah, o amor! - AMAR É PUNK."

Fernanda Mello.

Amei o texto!

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Ama as tuas rosas

"Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós próprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.


Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam
."

Ricardo Reis, heterônimo de Fernando Pessoa.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Dia Branco


Se você vier
Pro que der e vier
Comigo...
Eu lhe prometo o sol
Se hoje o sol sair
Ou a chuva...
Se a chuva cair
Se você vier
Até onde a gente chegar
Numa praça
Na beira do mar
Num pedaço de qualquer lugar...
Nesse dia branco
Se branco ele for
Esse tanto
Esse canto de amor
Oh! oh! oh...
Se você quiser e vier
Pro que der e vier
Comigo
Se você vier
Pro que der e vier
Comigo...
Eu lhe prometo o sol
Se hoje o sol sair
Ou a chuva...
Se a chuva cair
Se você vier
Até onde a gente chegar
Numa praça
Na beira do mar
Num pedaço de qualquer lugar...
E nesse dia branco
Se branco ele for
Esse canto
Esse tão grande amor
Grande amor...
Se você quiser e vier
Pro que der e vier
Comigo
Comigo, comigo.

Composição : Geraldo Azevedo/ Renato Rocha

terça-feira, 14 de junho de 2011

Bem breve

Se você não consegue entender o meu silêncio de nada irá adiantar as palavras, pois é no silêncio das minhas palavras que estão todos os meus maiores sentimentos.

Se você não se atrasar demais, posso te esperar por toda a minha vida.
Oscar Wilde

Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida. Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e fazer feliz por inteiro. Difícil é ocupar o coração de alguém. Saber que se é realmente amado.
Carlos Drumond de Andrade

Como podemos nos entender (...), se nas palavras que digo coloco o sentido e o valor das coisas como se encontram dentro de mim; enquanto quem as escuta inevitavelmente as assume com o sentido e o valor que têm para si, do mundo que tem dentro de si?
Luigi Pirandello

A fé não é algo para se entender, é um estado para se transformar.
Mahatma Gandhi

Quem quer matar a sede não procura entender a fórmula da água.
Fernado E. Tavares

E não dou um tostão por eles todos. A você eu amo. Raramente me engano.

Eu queria dizer que eu estava com você, e a menos que você não me suporte mais, continuaria te procurando e querendo saber coisas.

De repente me passa pela cabeça que a minha presença ou a minha insistência pode talvez irritá-lo. Então, desculpa não insistirei mais.

Entenda bem: Não me veja tentando reatar uma história de amor já bastante espatifada.
A realidade é um bêbado jogado no chão, até que alguém bata na minha porta e prove o contrário.

Típico pensamento-nada-a-ver: sossega, o que vai acontecer acontecerá.

Mais um enigma, suspirei exausto, bem-aventurados os doidos de pedra.

Só vou perguntar por que você se foi, se sabia que haveria uma distância.

Como uma coisa que só por ser sentida e formulada se completa e se cumpre?

Atravessamos agostos que parecem eternos e, nos setembros, suspiramos quase leves outra vez: “Meu Deus, passou”.
Vontade de ter um pensamento bem profundo, desses que fazem a gente se surpreender que tenham saído da nossa cabeça mesmo.

Deixa. Deixa entrar: na vida, no coração, na cabeça.

Deus, põe teu olho amoroso sobre todos os que já tiveram um amor sem nojo nem medo, e de alguma forma insana esperam a volta dele.
Olha por todos aqueles que queriam ser outra coisa qualquer que não a que são, e viver outra vida que não a que vivem.Mas para nós, que nos esforçamos tanto e sangramos todo dia sem desistir, envia teu Sol mais luminoso.

Para pedir, mesmo em vão, porque pedir não só é bom, mas às vezes é o que se pode fazer quando tudo vai mal.

Antes que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou não ir, querer ou não querer — eu já estava lá dentro.

Hoje eu queria alguém que me dissesse que eu não precisava me preocupar.

Meu filho, os caminhos estão muito mais abertos do que você imagina.

Parece dificil de enxergar que insistir nisso é perda de tempo, é perda de vida em uma causa perdida.
Aos caminhos, entrego o nosso encontro. E se tiver que ser, como tem que ser, do jeito que tiver que ser, a gente volta um dia.
Caio Fernando Abreu

Homenagem

Não digas nada!

Não digas nada!
Nem mesmo a verdade
Há tanta suavidade em nada se dizer
E tudo se entender -

Tudo metade
De sentir e de ver...
Não digas nada
Deixa esquecer

Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada...
Mas ali fui feliz
Não digas nada.


Fernando Pessoa
Pois é, ontem foi o 123º aniversáriio desse épico poeta português. Achei esse poema belo e resolvi postar aqui,pra que fique em HOMENAGEM AOS 123 ANOS DE FERNANDO PESSOA |
Bjoos^^

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Com honestidade

De vez em quando, a água, por natureza cristalina, de lindas praias existentes na região dos afetos fica turva por detritos emocionais acumulados, nossos e alheios. Às vezes, é possível percebê-los e até identificá-los na superfície. Outras, não. Só o que dá pra perceber é a transparência prejudicada. O desconforto que nem mesmo a massagem das ondas consegue desmanchar. A espontaneidade que desaprendeu a fluir. Um aperto meio doído na garganta dos instantes compartilhados.

Os tais detritos, entre outras coisas, podem ser resíduos de achismos traiçoeiros, olhares estreitados, tristezas arqueológicas, cacos de carências, bobagens fermentadas, perdões mal costurados, medos cabíveis e outros que não cabem. Podem ser também resíduos de coisas inimagináveis, criadas durante trechos de silêncio ruidoso pela falta daquele raro diálogo que não se restringe ao andar da cabeça. Aquele que tem espaço para começar no coração. Aquele que é lugar onde ninguém precisa se defender de ninguém para oferecer proteção a si mesmo. Aquele que quando não acontece às vezes se transforma em dois monólogos esquisitíssimos, feitos de equívocos e sentimentos embolados pelas mãos da confusão.

A verdade é que, embora quiséssemos, não encontramos uns com os outros ao longo da extensa orla da existência só para compartilhar banhos aprazíveis em mar de águas claras, clima ameno, riso farto, coco gelado ou uma cerveja boa. A ideia é ótima, e deve ser desfrutada tanto quanto seja possível, mas não é só essa. Os encontros, sobretudo aqueles que acontecem com potencial pra trazer à tona os seres amorosos que, por essência, já somos, evidenciam nossas belezas sem reservas, mas podem também turvar as águas de quando em quando. Uma hora costuma acontecer, coisas nossas, coisas alheias. Geralmente, chamamos isso de problema, mas um nome também adequado é oportunidade.

Quando acontece, a gente às vezes fica tão assustado que tenta se convencer por a mais b que os detritos são só do outro e as belezas são só nossas. Outras vezes, pode se afastar correndo da beira da praia e deixar o outro se virar sozinho com os resíduos todos, os dele e os nossos. Outras também, inábeis, estabanados, como costumam ser as pessoas que estão começando a aprender a amar, podemos só conseguir revolver os detritos e espalhá-los ainda mais, no afã de resgatar de qualquer jeito a transparência comprometida.

Talvez nesses momentos o gesto mais promissor e generoso possível seja, com toda a calma que soubermos, começar a sair do monólogo esquisito para dialogar a partir do coração. Talvez seja arriscar descobrirmos juntos o que está turvando a água antes que ela se torne mais poluída. E, se o sentimento compartilhado realmente for bacana e precioso para as duas vidas, quem sabe pedir uma para a outra com honestidade: “não desiste de mim.”
Ana Jácomo

domingo, 12 de junho de 2011

Sem utopias, por favor!

"O que a gente espera de um amor? Tudo. Que sejamos apoiados em todas as nossas decisões, que o sexo seja nada menos que exuberante, que jamais escutemos um não, que o humor se mantenha sempre elevado, que adivinhem nossos pensamentos (e não adivinhem quando eles puderem causar mágoa), que haja disposição para aceitar todos os convites, que nunca cansemos do rosto, da voz, do jeito do outro, que os dias passem leves e que sejam sempre como foram os primeiros, que o tédio jamais bata à porta, que não haja mal-entendidos, que não se economize nos beijos, que a vida cumpra o prometido: ser uma festa constante.
O que a gente espera de um amor soa a delírio, e por isso a frustração logo se instala. Não há como realizar nem metade do que idealizamos, e muito menos o tempo inteiro. Deveríamos esperar apenas uma coisa do amor, do nosso amor: o que ele puder nos oferecer.
Ele não vai topar ir a um concerto de música clássica, pois acha chatíssimo, e você então vai sozinha, e, sem pensar em revanche, aceitará dele um convite para assistir a um show de hip-hop numa casa noturna em que você jurou jamais colocar os pés, e de repente vai adorar o programa que terminará às 4h da manhã, horário em que você normalmente já está quase se levantando da cama para iniciar o dia.
Seu amor não vai oferecer beijos a todo instante, mas um dia acordará você com pétalas de rosa pelo chão do quarto e você não achará cafona, e sim brindará, com suco de laranja e croissants quentinhos, o fato de ainda ser surpreendida na idade em que está.
Ele não vai curtir a vida ao ar livre como você queria, se negará a montar num cavalo ou caminhar por uma trilha, lhe parecerá urbano demais, mas em contrapartida oferecerá um copo de vinho, um cafuné prolongado, um silêncio apaziguador que até parecerá coisa do campo, mesmo vocês estando no sofá da sala num prédio de 15 andares em meio a uma capital caótica.
Ele não vai conseguir realizar seu sonho de cruzar os Estados Unidos de carro, mas vai oferecer a você um passeio de barco por aqui perto, você que odeia barcos ou melhor, odiava. Ele não vai se vestir dentro dos padrões que você considera de bom gosto, mas vai impactá-la com uma originalidade à qual você não estava acostumada. Ele não vai dizer a frase certa na hora certa, e vai fazer você descobrir que não há frases erradas quando se fala com o coração. Ele não vai gostar do que você gosta, e você não vai gostar do que ele gosta, e a criatividade para descobrir prazeres em comum dará à relação um caráter insuspeitado. De um jeito mais simples, é possível amar aceitando o que é possível receber, sem sofrer pelo que foi sonhado em vão."

Martha Medeiros (arrasaa :)

Viva o agora com palavras

Pra "comemorar" o Dia dos Namorados, deixo pra vocês um lindo-lindíssimo- poema de Pedro Mamede!


Pontos, interrogações,
Vírgulas.
Não os coloque em nossa vida.

Vivamos sem aspas, sem reticências,
Viva o agora com palavras,
As mais belas que tiver.


Ofereço-te as minhas também,
Escreva o que quiser.
Arranque minhas vísceras como sempre,
Ou pense duas vezes,
E seja terno como sou.

Não te peço para que me sejas
Só te imploro para que me ames
Com as palavras que te amo
Sem pontuação
pois pontos deturpam o sentido
que eu quero dar a nós.


Pedro Mamede

P.S: Ah, um verdadeira declaração, não é? Meninos, aprendaaaaam! kkk
Palavras são muito mais do que rosas... Pelo menos pra mim!^^
bjinho (:

sábado, 11 de junho de 2011

Não pense duas vezes...

"A felicidade é um susto. Chega na calada da noite, na fala do dia, no improviso das horas. Chega sem chegar, insinua mais que propõe... Felicidade é animal arisco. Tem que ser adimirada à distância porque não aceita a jaula que preparamos para ela. Vê-la solta e livre no campo, correndo com sua velocidade tão elegante é uma sublime forma de possuí-la.
Felicidade é chuva que cai na madrugada, quando dormimos. O que vemos é a terra agradecida, pronta para fecundar o que nela está sepultado, aguardando a hora da ressurreição.
Felicidade é coisa que não tem nome. É silêncio que perpassa os dias tornando-os mais belos e falantes. Felicidade é carinho de mãe em situação de desespero. É olhar de amigo em horas de abandono. É fala calmante em instantes de desconsolo.
Felicidade é palavra pouca que diz muito. É frase dita na hora certa e que vale por livros inteiros.
Eu busco a frase de cada dia, o poema que me espera na esquina, o recado de Deus escrito na minha geladeira... Eu vivo assim... Sem doma, sem dona, sem porteiras, porque a felicidade é meu destino de honra, meu brasão e minha bandeira. Eu quero a felicidade de toda hora. Não quero o rancor, não quero o alarde dos artifícios das palavras comuns, nem tampouco o amor que deseja aprisionar meu sonho em suas gaiolas tão mesquinhas.
O que quero é o olhar de Jesus refletido no olhar de quem amo. Isso sim é felicidade sem medidas. O café quente na tarde fria, a conversa tão cheia de humor, o choro vez em quando.
Felicidades pequenas... O olhar da criança que me acompanha do colo da mãe, e que depois, à distância ,sorri segura, porque sabe que eu não a levarei de seu lugar preferido.
A felicidade é coisa sem jeito, mas com ela eu me ajeito. Não forço para que seja como quero, apenas acolho sua chegada, quando menos espero.
E então sorrio, como quem sabe,que quando ela chega, o melhor é não dispersar as forças... E aí sou feliz por inteiro na pequena parte que me cabe.
O que hoje você tem diante dos olhos? Merece um sorriso? Não pense duas vezes..."
Padre fabio de Melo

Não tem como remar sozinha

"Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar também. Tá me entendendo? Eu sei que sim. Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. Faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso preciso saber se você vai também. Porque sozinha, não vou. Não tem como remar sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma. Mas olha, eu só entro nesse barco se você prometer remar também! Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia. Mas você tem que prometer que vai remar também, com vontade! Eu começo a ler sobre política, futebol, ficção científica. Aprendo a pescar, se precisar. Mas você tem que remar também. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena."

Remar.

Re-amar.

Amar.

Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Te-Tudo

Meu amor não cabe no papel,
Guardo-o sutilmente nos olhos;
Passagem para a alma.


Então, confiro a estes rabiscos,
Como príncipe de meu habitat natural,
Que chamamos de “nós”
O poder de reflexo do coração.


Assim, quando quiseres,
Ou quando eu lhe der tempo
Para que sintas saudades
Olhe pra cá, veja sua essência
E lá dentro, meu espírito,
Tudo que de mim é além corpo.



Estou dentro de ti, de nós
Te-Tudo


Auto-engano em vão


"Quando nos dedicamos, com o coração, à busca do autoconhecimento, é inevitável que chegue um instante em que algumas mentiras que contávamos para nós mesmos passem a não funcionar mais. Os disfarces até então utilizados para fortalecer o nosso autoengano já não nos servem. Inábeis com a paisagem aos poucos revelada, às vezes ainda tentamos nos apegar a alguma coisa que possa encobrir a nossa lucidez, embaraçados que costumamos ser com as novidades, por mais libertadoras que sejam. É em vão. Impossível devolver a linha ao novelo depois que a consciência já teceu novos caminhos. Existem portas que se desmancham após serem atravessadas, como sonhos que se dissolvem ao acordarmos. Não há como retornar ao lugar onde a nossa vida dormia antes de cruzá-las. Da estreiteza à expansão. Da semente à flor. Do casulo às asas, nos ensinam as borboletas."

Ana Jácomo

Metade

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante

Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos

Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo
.
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada

Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais

Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.


Metade
Composição : Oswaldo Montenegro AMAAADO (:

domingo, 5 de junho de 2011

Que aqui se encerre

“Me paraliso na dúvida entre o passo a se dar, e o congelamento de ficar onde estou. Se arrisco, e não petisco? Se me dou, e, em mesma moeda, nada recebo? É essa confusão toda que corrói. Desconhecer até que se ponto a doação é ganha como dádiva, ou puro desperdício... Os nós aqui dentro se embaraçam e afirmam cada vez mais, e aquilo que poderia salvar quem sabe essa minha insegurança em ter tudo, e ao menos tempo, nada de palpável, concreto, tem se reafirmado. Claridade, peço. Diga o que quer, seja direto. Me ferir está fora de cogitação. Se não passar de mera brincadeira essas horas em que rimos e compartilhamos nosso melhor, que aqui se encerre. Fiquem os bons momentos fotografados na memória, antes que se desmanchem admiração e cumplicidade, essa infinidade de afeto que me veio, surpreendente, e cada vez mais tem se feito presente.Contudo, da única vez em que há diferenciação sincera no que sinto, mais do que sempre, desejo tanto que a realidade faça parte também do sonho.” Camila Paier

Comumente, temos medo de abandonar aquilo a que mais estamos apegados e aquilo que, principalmente, nos faz bem. Mas a decisão é sábia: é necessário abandonar quando já percebemos que tudo está se esvaindo e não está no caminho certo. Pois bem, decidir não mais acreditar que aquilo dará certo é difícil, complicado: mexe com nossos sentimentos. E até nos acostumarmos a não ter mais os pensamentos demora; padecemos, sofremos e às vezes até choramos.
Eu, como adolescente convicta de que finais felizes e “para sempre” não existem, sabia que ia chegar ao fim, mas não imaginava como... Não imaginava que EU fosse querer esquecer, que EU fosse querer colocar um fim. Infelizmente, não tive escolha: você nem ao menos deu! Ponto final: assim se encerra a história perplexa, em que de um lado estava ela, que o esperava fielmente; do outro lado, ele, nem se quer aparentava estar vivo, pelo menos pra ela.
Assim se esvaia toda a simplicidade e toda a emoção de construir um relacionamento perspicaz. Abandonar alguém especial, para mim, está fora de cogitação. Mas em alguns casos, faz-se necessário: quando a dor de não se ter reciprocidade aperta, percebe-se o quão isso é importante para os sentimentos fluírem. Mas não é surpresa que isso aconteça: engano-me fácil, e sempre. Porém, enquanto absorvo a melancolia provinda de tal situação, também amadureço um bocado. Você? Espero!
Nossa; como eu queria acreditar que tudo ia continuar, como que queria seguir em frente, mesmo com você “invisível”. Mas não dá, a gente sempre sabe quando chega a hora de deixar pra trás...
Talvez, para você, não tenha passado de mera brincadeira, mera distração. Para mim, nas mais fiéis palavras, houve abundancia e totalidade em sentimentos verdadeiros e cumplicidade.
Então, colocando-me em primeiro e devido lugar, para evitar mais transtornos e por ser tão sentimental: que aqui se encerre... Estava havendo desperdício de minha parte, enquanto da sua, absolutamente nada.
Porém, ainda sei :o futuro é sempre um mistério. Caso você regresse, posso regredir, mas com minhas profundas condições. Sem balelas, sem desculpas, só conformidade , realidade e amor, muito amor .

Escrito por mim em 25/05/2011. Achei legal e resolvi postar hoje! Beijitosss ^^
Inspiração provinda de textos da Camila Paier! P.s: Camila Paier escreve pra mim! Telepatia é foda! kkkkkkkk
( O que mais me dói nessa de abandonar é não saber mais chorar, não conseguir... Ultimamente estou tão seca, que nenhuma lágrima ardente jorra de meus olhos, nenhuma música de “ruedeira” consegue me deprimir. Não sei, não entendo, só sei que estou seca, só isso! )

Karoline Alves

Príncipe e tirania


"A mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer." Mário Quintana

"Sem mais ilusões pro coração, com o ar cético que nunca me fez bem, foi depois de um surto de saudade momentâneo que conclui: o que vivi não passou de uma verdade inventada. Sem sentido, abstrata, ilusória.
Logo eu, que glorifiquei tantas e tantas vezes mentiras sinceras, que até me interessavam. Até me deparar com essa situação desvirtuada a qual me vi devota. Uma confusão onde eu desenhava por cima da imagem real castelos e príncipes encantados - me esquecendo que onde há reino, há rei. E onde há rei, pode haver muita tirania. Injustiça também.
Minha mágoa se compôs em querer tanto acreditar que o carrossel de emoções que ora subiam, e por vezes vinham à terra, era de carne e osso e existente, que consistia em algo que poderia perecer ao tempo e à distância, quando na verdade, não. Chegava mais perto, e mesmo escutando cada palavra bela do que compunha o punhado de fantasias indiciosas, me deixava embalar pelo som das palavras angelicalmente grotescas que saíam da sua mandíbula articulada para me enganar. Sem nem ao menos prestar atenção nos sinais de insegurança que emitias, em sua índole contrabandeada, ou em sua fisionomia tão condizente com o que até mim se norteava. Seus falsos argumentos, suas desculpas já gastas, de tão esfarrapadas. E eu pegava no colo, e protegia, com zelo e cuidado, até mesmo cada erro do que um dia se voltaria contra mim. Todos esses teus medos, tão injustificados.
Sentir falta de uma mentira não é se enganar; fica mais fácil de se encarar de frente o vazio deixado e a ferida provocada, para então perguntar: aonde é que toda aquela chama foi parar? Sem nunca obter respostas, caída tão dentro do que nem ao mesmo existiu, e confundir o efetivo com ledo engano. Me pergunto pra onde se bandearam todos aqueles sonhos, tão infantis, ou minha ideologias, tão furadas e batidas. Sumiram, morreram, travaram. Empacaram. Enquanto toda essa inocência inadaptável queria firmemente acreditar, construía motivos para crer, a lógica se esvaia; a esperteza pegava carona, e a cova dos sonhos se via cada vez mais funda. Nas desculpas esfarrapadas, visão embaralhada e assistia então a: motivos altamente convincentes. E a novela, de tanto suspense se alimentava, suas pernas curtas corria com rapidez, e inflava, cada vez mais. Até se tornar uma bolha de camada tão fina, e de cunho insuportável, que estourou. De novo então o ar natural respirável, algumas não tão belas verdades na mente, e sonhos em reconstrução provisória. Cair fora do que ficou em ser lenda, e não se viu nem ao menos sombra ou vestígio do que passou, é abandonar o vício, e caminhar com alívio. Fichas para um carrossel de emoções, reais e apaixonantes, agora sim. "
Camila Paier

P.S: CAMILA PAIER ESCREVE PRA MIM, GENTE, só pode! *-*

Identifico-me muito com os textos dela, lindoooos!!^^

terça-feira, 31 de maio de 2011

Amor Amigo Querido



" A amizade é um meio-amor, sem algumas das vantagens dele mas sem o ônus do ciúme – o que é, cá entre nós, uma bela vantagem. Ser amigo é rir junto, é dar o ombro para chorar, é poder criticar, é poder apresentar namorado ou namorada, é poder aparecer de chinelo de dedo ou roupão, é poder até brigar e voltar um minuto depois, sem ter de dar explicação nenhuma. Falo daquela pessoa para quem posso telefonar, não importa onde ela esteja nem a hora do dia ou da madrugada, e dizer: "Estou mal, preciso de você". E ele ou ela estará comigo pegando um carro, um avião, correndo alguns quarteirões a pé, ou simplesmente ficando ao telefone o tempo necessário para que eu me recupere, me reencontre, me reaprume, não me mate, seja lá o que for. Pois o verdadeiro amigo é confiável e estimulante, engraçado e grave, às vezes irritante; pode se afastar, mas sabemos que retorna; ele nos agüenta e nos chama, nos dá impulso e abrigo, e nos faz ser melhores: como o verdadeiro amor."
(Lya Luft)

"Nós sempre precisamos de amigos, gente que seja capaz de nos indicar direções, despertar o que temos de melhor e ajudar a retirar os excessos que nos tornam pesados. É bom ter amigos. Eles são pontes que nos fazem chegar aos lugares mais distantes de nós mesmos."
(Pe. Fabio de Melo)




"Ao sair para o mundo é sempre melhor darmos as mãos e ficarmos juntos. É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão."

(Pedro Bial)





(: (: (: Beijos ,Bazzingaaaa!

Pe-tu-lan-te.



Discutíamos. Momentos como este que que articulam grande força e intensidade, nossos acalorados debates, me marcam sempre a memória – já tão defasada, um tanto elefântica: enorme pro que realmente interessa. Entre punhos pressionados com força de onde poderia vir um golpe certeiro, gritos que transpassavam cozinha, a sala e o seu quarto, bem no meio dos olhos, como costumavas me olhar, proferiu: Sua…Sua petulante.

Pe-tu-lan-te. Que poderia ser nominada doente, louca, demente ou grossa, mas não. Uma petulante. Pétala ambulante? Uma personificação errante pra esses meus erros banais e corriqueiros: um pedaço de flor, caído ao chão sem se mover, derrubado pela própria impetuosidade. Foi como me senti ao quase beijar teu tapete, deitada no chão que já conhecia meu corpo inteiro; apenas junto ao seu, sob o brilho das estrelas quando a janela aberta, e o zelo das cortinas, no rigoroso inverno.

Perplexa, sim, permaneci. Sentada à cama, sem ação, nem revide. Vendo sua raiva de mim partir com você e sua carteira no bolso, a chave do carro em mãos. Os passos largos, apressados. Porta batida, estrondo. Sabe se lá para onde ia, imagino que, qualquer lugar longe dessa minha arrogância de viver que não consegue nunca calar o pensamento, ou o que sinto. Foi nesse meu atrevimento que o obtive. E aparentemente, na mesma ousadia de viver sem nunca me subjulgar, também estava nítido que perderia o que havia conquistado: você.

Recolhida na fúria de ser este mar singular onde se afogam os despreparados, e navegam os apreciadores de grandes venturas, abracei as pernas e chorei como criança perdida no mundo, desencontrada de pai e mãe. O desconsolo de não me resguardar, e com audácia, agir sem nem ao menos tentar um acordo com o pensamento. Eu é quem erro e prenuncio todas atitudes alheias, julgo quaisquer fatos que à mim não dizem nem respeito, tão pouco razão. Pronta sempre para o ataque, essa foi a última de nossas tantas discórdias. Da qual ainda tento fragmentar e esmiuçar, para que talvez compreenda onde que o erro encontrou falha, e nos fez cair para dentro. Nessa desgovernação que me acomete, e que nem entendo; apenas sigo. Foi a petulância em si, ou uma gota dessa água que ameaçava cair há tempos, e nunca víamos ruir?

Ao refazer o caminho da dança que foi o fogo de nossa luta, algum vestígio que fosse do que poderia salvar a minha culpa de ser vilã, para se tornar sua companheira do seu crime (quem sabe, noiva). Arco com o prejuízo de estar certa, para obter a glória de você de novo num jantar dos nossos, acordar ao seu lado e pensar: a vida é justa quando fazemos valer a pena cada fração de segundo. Até largo fora a cara de ser insolente, e amolecer a diretriz dessa minha urgência, para que depois do perdão, revigorados voltemos um ao outro: em paz, e com muito amor.

Chego a pensar que se lutamos, é para ter o sabor ácido e simultaneamente doce de fazer as pazes mais tarde. Petulante ou não, insuportável ou de TPM: você, a paciência enorme que acaba transbordando porque eu canso sim, mas recompenso. E bem. Tanto que a campainha toca, vejo flores no que deveria ser a sua face – agora, também arrependida – e abraço você com a ternura de quem segura o maior prêmio nos braços: o nosso amor como vencedor. Se te desculpo? Acho que te amo.

Camila Paier
Pessoal, os créditos fazem jus a uma guria extremamente profunda: Camila Paier! Esse é só o primeiro de muitos textos que postarei aqui dessa magnífica guria! Espero que gostem . Deixo a dica: visitem o Blog CALMILA, eu amo!
P.S.:: reconheçam sempre os direitos autorais, hein?
Beijinhos, fiquem com Deus! :)

domingo, 29 de maio de 2011

Metades

"porque, há muito, eu erro a mão. a dose. esqueço a receita do equilíbrio. o quanto uso das partes que brigam dentro de mim. há muito, eu me confundo. porque metade não tem medo e levanta os braços, na descida da montanha-russa. olhos abertos, enquanto outra acha melhor enfrentar a queda com as mãos na barra. segurando forte. espremendo os dois olhos, fechados, desde o começo do percurso. metade prefere brincar na beira da praia. no raso. enquanto outra não vê problemas em pular dezenas de ondas e nadar onde a pequena bandeira vermelha, agitada pelo vento, avisa sobre o risco. sobre o possível afogamento. porque, há muito, eu erro a receita do equilíbrio. uso a parte que não deveria na hora em que não poderia. me confundo com as metades que brigam dentro de mim. porque parte acelera na estrada, no momento da curva fechada. pé direito até o fim, enquanto outra freia, bruscamente, ao ver a primeira placa. seta torta, avisando sobre o perigo. metade não suporta a burrice, a pequenez, a lerdeza. outra, sempre calada, tolera a banalidade. engole a ignorância. convive com a mediocridade. há muito, eu erro a mão. a dose. me confundo com o que devo usar. porque metade briga. explode. dedo apontado na cara, enquanto outra se recolhe, quieta, debaixo da cama. no quarto fechado. no tudo escuro. metade berra. outra sussurra. tenho uma parte que acredita em finais felizes. em beijo antes dos créditos, enquanto outra acha que só se ama errado. tenho uma metade que mente, trai, engana. outra que só conhece a verdade. uma parte que precisa de calor, carinho, pés com pés. outra que sobrevive sozinha. metade auto-suficiente. mas, há muito, eu erro a mão. a dose. esqueço a receita do equilíbrio. me perco. há dias em que uso a metade que não poderia. dias em que me arrependo de ter usado a que não gostaria. porque elas brigam dentro de mim, as metades. há algumas mais fortes. outras ferozes. há partes quase indomáveis. metades que me fazem sofrer nessa luta diária. Não deixar que uma mate a outra."

Eduardo Baszczyn

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Adeus

- Não é que eu queira ir embora, mas já não consigo ficar.
- Eu preciso que tu fiques. Eu...
- Não. Não precisa. Coisas simples teriam bastado pra que eu ficasse, mas nada foi feito e não bastou.
- E se eu te disser tudo que tenho calado? Todas as palavras que esqueci de enviar? E se eu te disser que não posso presenciar o destino, ou o que quer que seja, falhar novamente?
- E se tu disseres as palavras que eu sempre quis escutar, vou dizer que as falaste tardiamente. Teus intentos serão compostos de esforços inúteis, porque já não preciso ouvir. E inutilidade maior que a de um monólogo não há.
- Lembra de quando eu te perguntei se teria que lutar sozinho para que tu ficasses? Luto de novo. Conserto, reparo, reinvento. Demorei, mas voltei. Me deixa tentar?
- Te deixo. Tô te deixando pela primeira vez, mas é a segunda que tu me perdes.
- Tu disseste que seríamos pra sempre. Eu te marquei em mim. Tu estás pronta pra ir, eu sei, mas pra mim isso não é o fim.
- Eu te marquei em mim também. Mas não na pele, além e mais irreversivelmente. Não sei onde começou isso que me nego a chamar de adeus, mas se parece muito com um. Tampouco sei se vai continuar. Mas das raízes que fomos um dia já não florescem belezas, não há quem regue.
- Nossa eternidade não pode se reduzir a um par de anos. Imaginei um "pra sempre" amplo, vasto... Eterno. Mas tu pareces preferir assistir a nossa morte à tentar ressurreição.
- O que aconteceu foi que pulamos de um trampolim rumo à direções opostas e esse abismo é insustentável. Nos creía maiores, melhores, sagrados. E essa pequenez tem me nocauteado.
- Sei que falhei, sei que faltei. Mas ainda te guardo em mim. Não quero me tornar uma lembrança póstuma, não tô pronto pra ser enterrado. É uma agressão contra o que somos e sempre fomos.
- Não quero ter que presenciar outra ausência ainda mais ausente. Cansei. E a dimensão do meu cansaço é maior do que o teu entendimento admite. Dói, confesso. Mas já doeu mais e cedo já não doerá.
- Eu não vou te pedir nada, mas, se acaso tu perguntares: por ti não há o que eu não faça. Eu vou guardar inteira em mim essa casa que tu queres mandar pelos ares. Vou reconstruí-la em todos os detalhes intactos e implacáveis. Como um dia tu cantaste pra mim.
- Eu guardo em mim. Vou sempre guardar. Mas nossa exatidão não combina e nossos ponteiros se desencontram sempre, não tô mais disposta a esperar. E pode ser que realmente sejamos pra sempre, é só que hoje não tenho motivos pra acreditar.

Texto de Amanda Arrais no blog 404aa 
PERFEITO! *-*